Autor: Patricia Montanelli - mb&l consultores

Boas perguntas, bom timing, vendas melhores

Na venda consultiva, escuta-se muito que “é preciso fazer perguntas”, como se a chave fosse encher a reunião de questionamentos. Mas a realidade é outra: não vence quem pergunta mais, e sim quem pergunta melhor.

Ou seja, quem entende o que perguntar, em que momento e com que intenção. Porque quando se pergunta sem propósito, o mais comum é terminar com reuniões longas, clientes cansados e uma sensação enganosa de “investiguei bastante”, quando, na prática, a oportunidade não avança.

Nesse modelo, as perguntas não surgem por inspiração divina no meio da conversa. Elas são preparadas. A venda consultiva começa antes da reunião, quando o vendedor chega com contexto, informações sobre o cliente e algumas hipóteses sobre o que pode estar acontecendo. Assim, as perguntas têm um objetivo claro: confirmar ou descartar suposições, entender prioridades, identificar tensões internas e, principalmente, chegar ao problema real. Quando a conversa se baseia em perguntas improvisadas, costuma ficar na superfície: fala-se de sintomas e situações pontuais, mas não se chega à causa.

Outro ponto-chave é o timing. Uma pergunta excelente, feita no momento errado, pode gerar resistência. No início, o ideal é abrir contexto, construir confiança e dar espaço para o cliente se situar. Se você começa direto com perguntas duras ou muito “cirúrgicas”, o cliente se fecha ou responde o mínimo possível. Depois, quando já existe relacionamento e mais conforto, surgem as perguntas mais profundas: aquelas que incomodam um pouco, que desafiam, que fazem pensar. E, no final, as perguntas mudam de papel: deixam de ser para descobrir e passam a organizar a conversa, confirmar entendimentos e alinhar os próximos passos. Saber conduzir esse ritmo é mais importante do que parece.

E aqui vem um ponto que muitos subestimam: perguntar não é o mesmo que interrogar. Fazer boas perguntas vale pouco se não houver escuta real. Muitos vendedores “escutam” apenas para responder rápido, argumentar ou conectar sua solução. A escuta consultiva é diferente: é ativa e estratégica. Presta atenção a padrões, contradições, silêncios e ênfases. Envolve reformular (“deixa eu ver se entendi bem…”) e retomar pontos mencionados antes para conectar ideias. Às vezes, o mais consultivo nem é uma pergunta, mas uma devolutiva: uma observação que ajuda o cliente a enxergar com mais clareza e organizar o que está vivendo.

Por isso, as melhores perguntas quase nunca estão 100% roteirizadas. Podem existir perguntas-base, claro, mas as mais poderosas geralmente surgem de uma boa escuta e da presença real na conversa. A venda consultiva não é um checklist para “cumprir a investigação”, mas um diálogo vivo em que intenção e escuta se alimentam mutuamente.

Em resumo, a venda consultiva não se trata de acumular perguntas, mas de usá-las com intenção: no momento certo, com o objetivo correto e com escuta genuína. Quando o cliente sente que está sendo realmente ouvido, deixa de se sentir pressionado a comprar e passa a se sentir acompanhado em uma decisão.

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